22/07/2022

O que mais dificulta o sucesso do investidor?

“O que mais dificulta o sucesso do investimento não são as crises e correções de mercado, são as reações dos investidores às crises e correções, que são inevitáveis.”

 

A pandemia foi um dos eventos macroeconômicos que acontecem uma vez a cada década e mudam completamente o rumo da economia e do mercado, como foi a crise financeira de 2008.

O impacto da pandemia na nossa carteira pode ser dividido em dois atos.

Primeiro ato: Análise minuciosa de cada empresa da nossa carteira para ter certeza da sobrevivência dos negócios, visando garantir que mesmo no pior cenário possível da pandemia, todas as nossas empresas chegassem do outro lado. No nosso caso, foi uma análise relativamente fácil. 

Primeiro porque nossa filosofia é de investir em empresas de qualidade, filtrando parte desse risco. Segundo porque em um primeiro momento a pandemia acelerou o crescimento de muitas empresas do portfólio, como Google, Amazon, Charter e Netflix. 

A injeção de 4 trilhões de dólares na economia americana contribuiu para que a recuperação da bolsa americana fosse tão rápida quanto a queda. Essa talvez tenha sido a última pernada de um período de mais de uma década de custo de capital baixo e liquidez abundante. 

Segundo ato: Pode ser considerado a “ressaca” desse período. Temos uma inflação global alta e vista como persistente, cadeia de suprimentos ainda desarranjadas, trazendo como consequência aumento de juros e capital mais caro e escasso, causando uma correção no valor que o mercado atribui às empresas. 

Além disso, estamos em um período em que o resultado operacional da maior parte das empresas está desacelerando. A combinação da desaceleração econômica e resultados mais fracos, dentro de um contexto de custo de capital mais elevado, explica a forte correção que vemos tanto no exterior quanto no Brasil.

Como o fundo navega esse cenário?

Estamos buscando o equilíbrio entre tentar encontrar as oportunidades que o mercado dá,  porém o respeitando. Isso se manifesta de duas formas:

1. Estamos carregando mais proteções do que o costume, protegendo o fundo de um cenário de inflação mais persistente e para ter munição caso o mercado continue caindo.

2. Temos dado preferência a empresas com uma visibilidade maior de geração de caixa. Quando o mercado cai de forma geral, temos a oportunidade de trocar quedas mais duradouras por quedas temporárias. Quando duas posições caem igual, mas uma tem uma previsibilidade de geração de caixa muito mais alta, daremos preferência à com maior previsibilidade. 

Principais posições do fundo

Google, Charter, Berkshire Hathaway, Equatorial e Charles Schwab. A divisão Brasil x exterior está aproximadamente 30% x 70%.

Cenário global

Vemos um cenário muito positivo para acúmulo de ações no Brasil e exterior. 

A bolsa brasileira anda de lado há três anos. Durante esse período, tínhamos dificuldade de justificar uma posição no Brasil por uma questão de preço. As empresas excelentes no Brasil nunca eram realmente baratas, mas hoje vemos empresas excelentes negociando retornos entre 10% e 15% em termos reais. 

No exterior, o cenário está atraente. O principal índice da bolsa americana, S&P 500 negocia a 16x lucros para 2023, o que equivale a um earnings yield de aproximadamente 6%, sendo o dobro da 10y treasury, que hoje paga 3%. Quem compra essa treasury hoje está pagando 33x lucro em algo que não tem lucro e nunca terá, além de possuir uma inflação acumulada de 9% nos últimos 12 meses. 

Quando comparamos com Google e Charter, empresas dominantes, que facilmente repassam inflação e que cresceram o fluxo de caixa por ação em aproximadamente 25% ao ano na última década, a opção por comprar ações dessas empresas é uma decisão muito clara.

Ao optar por comprar ações com alto retorno esperado para os próximos anos, o investidor precisa conviver com a volatilidade de curto prazo. Entretanto, no longo prazo você está assumindo muito menos riscos de ver a inflação corroer o seu patrimônio. A margem de segurança para comprar ações atualmente, seja no Brasil ou no exterior, é muito grande.

Comportamento

O seu comportamento é pelo menos tão importante quanto a qualidade da sua análise. Há diversos estudos que mostram que o retorno do cotista é bem mais baixo que o retorno dos fundos que eles investem.

O que mais dificulta o sucesso do investimento não são as crises e correções de mercado, são as reações dos investidores às crises e correções, que são inevitáveis. 

O comportamento que costuma destruir valor é justamente aquele que parece mais intuitivo durante o período de crise. É quando você tenta antecipar movimentos de mercado. 

CDI e Câmbio

O CDI de dois dígitos ajuda a carregar um pouco mais de caixa nos fundos. Temos uma posição pequena, porém relevante, que serve como um colchão para amortecer caso o mercado continue caindo, ao mesmo tempo que é uma munição para aproveitarmos as oportunidades que surgem.

Apesar de termos uma exposição de 70% no exterior, o mandato dos fundos, exceto o Atlas, é gerar retornos em reais, portanto fazemos o hedge cambial. Nesse ambiente de juros mais altos, o hedge gera retorno adicional.

Preço/ Lucro do S&P 500

Se há algo que a história nos mostrou, é que é impossível prever a magnitude das recessões. O mercado antecipa o preço. Quando analisamos recessões passadas, é comum perceber o mercado subindo enquanto o PIB ainda está contraindo. 

Se eu tiver duas opções de investimento, sendo a primeira de tentar vender antes da próxima recessão e a outra em que eu vou acumular participação em negócios bem selecionados e que vou carregá-los durante os ciclos, eu fico com a segunda. 

Como se proteger de uma recessão

Na IP acreditamos que a melhor estratégia para se proteger de uma recessão é ter uma carteira equilibrada, com negócios que dependem menos do PIB para crescer e que conseguem se proteger da inflação.

Assista na íntegra